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Um século depois

Com referências históricas, Banksy construiu um hotel junto ao muro que separa Palestina e Israel. A região de conflitos é cenário para uma discussão atual, com acomodações que instigam hóspedes de todo o mundo

23 de Março, 2017 às 11:17

O artista de rua britânico Banksy, aclamado em todo o mundo pela sua arte icônica, lançou nessa semana uma novidade um tanto quanto inusitada. Ele inaugurou um espaço chamado The Walled Off Hotel, junto ao muro que divide Palestina e Israel. A localização, um tanto quanto polêmica, foi escolhida como uma maneira de lembrar a história dos países, justamente no ano em que se completa um século de domínio da Inglaterra sobre a região. Sem ligações políticas, Banksy deixa claro que o projeto é apenas um espaço de contemplação e informação. “É o hotel com a pior vista do mundo”, diz ele, se referindo ao muro que domina praticamente todas as janelas do empreendimento. O interior do prédio é dominado por obras de arte. Além de projetos de Banksy, trabalhos assinados por Sami Musa e Dominique Petrin também se destacam nos diversos ambientes, das áreas de convívio aos dormitórios.




O espaço social do hotel inclui restaurante, piano bar, museu e uma galeria de arte, na qual estão previstas diversas exposições durante o ano – as visitas podem ser agendadas mesmo por quem não estiver hospedado no local. “Lembrando o papel histórico da Grã-Bretanha na região, o hotel foi decorado com referências aos clubes de cavaleiros ingleses da época colonial”, diz Banksy. No piano bar, o clima requintado contrasta com elementos históricos, como as paisagens marítimas pintadas a óleo, destacando coletes salva-vidas de refugiados e anjos com máscaras de proteção contra o gás lacrimogêneo. Apesar de estar situado em uma região bastante tensa, onde conflitos são comuns, o hotel não perde seu charme. De acordo com o idealizador, o espaço está localizado em um bairro movimentado da cidade, onde existem bares, restaurantes e uma vida social agitada.


Quem se hospedar em The Walled Off Hotel poderá escolher entre quatro tipos de quartos – Artist, Scenic, Presidential e o econômico Budget, onde a diária custa, em média 30 dólares. A veia artística do proprietário, é claro, foi fator determinante para a composição de cada dormitório. Com diferentes propostas, cada um deles segue inspirações irônicas sobre o cenário político, com obras capazes de fazer o hóspede refletir sobre os acontecimentos locais, porém de todos é possível observar o muro que separa a região. Na opção Artist, as mais icônicas obras dos artistas envolvidos marcam presença – “você irá dormir, literalmente, dentro de uma obra de arte”, diz Banksy. Com cores vibrantes, a acomodação Scenic possui vista para os grafites gravados no muro e para a torre de vigia do exército. Polêmico e irônico, Bansky define a suíte Presidential como “uma suíte palaciana equipada com tudo que um chefe de estado corrupto precisa”. O quarto possui banheira de hidromassagem com capacidade para quatro pessoas, obras de arte originais, biblioteca, cinema, terraço com jardim e kit de banho com minerais trazidos do Mar Morto. Por fim, a mais simples das dependências, Budget. O quarto possui uma capa simples, com banheiro compartilhado e objetos que lembram o exército israelense. “Tudo sem frescura”, diz o artista.



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