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Os encantos de Jeri

Das charmosas ruas de areia e casinhas repletas de flores, onde sempre parece Primavera, à exuberância das lagoas
e dunas que circundam o Parque Nacional, há muito para desbravar neste rústico e divertido destino no nordeste do país

 

Um destino paradisíaco, com visual rústico e um clima romântico que paira sobre cada um de seus cantinhos. Conhecer Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará, vale cada um dos 300 quilômetros que separam a charmosa praia da capital cearense. Mas engana-se quem pensa que chegar ao paraíso é fácil. Apesar da distância não parecer grande, trata-se de uma viagem cansativa, que pode se estender por até sete horas, dependendo do transporte que você escolher.

Entre as opções estão transfer privativo ou compartilhado em caminhonetes com tração 4×4, ônibus de linha ou ônibus de turismo. Nos dois últimos, porém, será preciso trocar de veículo na cidade de Jijoca, pois o caminho até a vila de Jericoacoara só pode ser feito por caminhonetes, jardineiras ou carros adequados e autorizados a circular no trecho. São aproximadamente 23 quilômetros (e quase uma hora de duração) em meio às dunas desse que é considerado um Parque Nacional desde 2002. É importante lembrar que, logo ao chegar em Jijoca, o viajante deve pagar uma taxa de turismo (R$ 5 ao dia por pessoa*) referente ao período que pretende ficar na vila – na pousada em que se hospedar, deverá apresentar o comprovante.

Foto: Cleison Silva/Divulgação

Depois desse trecho, chega-se ao destino tão esperado. Assim que bater os olhos na beleza e na simplicidade da pequena vila, você perceberá que todo o esforço valeu a pena. Jeri, como é carinhosamente chamada, encanta de todos os ângulos. Sem ruas asfaltadas nem iluminação pública, por lá é possível se (re)conectar com sua essência, (re)aprender a contemplar o belo e (re)descobrir o esplendor da natureza. E já adianto uma dica: economize espaço na bagagem e deixe todo e qualquer sapato em casa. Por lá, você só vai querer andar descalço ou, no máximo, com um confortável par de chinelos. Afinal, da beira da praia aos restaurantes e pousadas, todo o caminho é de areia.

 

Aventura e diversão

Em Jericoacoara, o dia nasce cedo e dois passeios são essenciais para quem está de passagem por lá. A bordo de um buggy você vai se divertir entre dunas e lagoas. O primeiro deles é em direção ao litoral leste, onde estão as famosas lagoas de águas cristalinas. Pontualmente, o bugueiro estará às 9h em sua pousada, lhe aguardando para iniciar a aventura. O roteiro é divertido e logo você conhece um dos cartões postais do destino, a Árvore da Preguiça. Trata-se de uma árvore que ganhou formato peculiar graças à ação do vento. Assim, seu tronco se curvou, fazendo com que a copa crescesse “deitada” nas areias. Andando mais um pouco, chega-se à Praia do Preá, em uma parada rápida apenas para fotos, pois o destino final está mais à frente.

Árvore da Preguiça, um dos cartões postais de Jeri (Foto: Cleison Silva/Divulgação)

A Lagoa Azul é a primeira que nos deparamos no passeio, já com algumas redinhas espalhadas pela beira, mesas e cadeiras e alguns restaurantes. Porém, a grande protagonista é a Lagoa do Paraíso, onde o turista encontra uma excelente infraestrutura, com restaurante, cadeiras, guarda-sol, muitas redes dentro da água e opções de esportes aquáticos. Nesse local funciona o Alchymist Beach Club, um espaço privado, no qual você paga uma taxa de R$ 20* para entrar e usufruir a estrutura (há opções de espreguiçadeiras ou mesmo a área VIP, que devem ser pagas separadamente). Conforme o sol brilha, a lagoa, formada pela água da chuva, vai ficando cada vez mais cristalina, encantando com diferentes nuances de azuis e verdes. Normalmente, os turistas ficam no local até às 14h, horário combinado com o motorista para o retorno.

A Lagoa do Paraíso é um dos destinos mais famosos do local (Foto: Hanna Siqueira/Divulgação)

 

Alchymist Beach Club, na Lagoa do Paraíso (Foto: Hanna Siqueira/Divulgação)

 

Alchymist Beach Club, na Lagoa do Paraíso (Foto: Hanna Siqueira/Divulgação)

 

O segundo passeio imperdível é para o litoral oeste. Novamente, o bugueiro passará na sua pousada às 9h e, então, prepare-se para muita aventura! Com dunas maiores e mais íngremes, o passeio ganha mais emoção entre as subidas e descidas. A primeira parada é realizada logo após uma travessia de balsa. No delta do rio Guriú há opção de um rápido passeio de barco para conhecer o mangue e ver cavalos marinhos (o barqueiro mostrará o bichinho em um recipiente de vidro, devolvendo-o ao rio logo em seguida). Após essa parada, o buggy segue até o mangue seco, no vilarejo de Tatajuba. Um local surpreendente, com clima bucólico e rústico, que vai render fotos lindas para sua recordação! Ele se formou totalmente pela ação dos ventos, que na década de 1980 sopraram a areia das dunas, soterrando a vila local. Hoje, esse espaço é tomado por raízes de árvores, que formam verdadeiras esculturas naturais. Entre uma e outra, charmosos balanços de madeira e corda, além de redes coloridas, fazem a alegria dos turistas.

Depois de conhecer o mangue seco, o passeio segue entre dunas até chegar a mais uma lagoa, também com opções de redes, mesas e cadeiras dentro da água. Antes do almoço, os mais aventureiros podem se divertir em algumas atividades, como esquibunda e tirolesa. Apreciando a beleza das águas, não tão cristalinas como as da Lagoa do Paraíso, é possível relaxar e renovar as energias. Às 15h, chega o momento de fazer o caminho de volta.

 

Caminhadas encantadoras

Na própria vila, algumas caminhadas apresentam outros cartões postais dessa que é considerada uma das praias mais bonitas do mundo. Uma delas é em direção à duna do pôr do sol. Não há dúvidas de que o entardecer em Jeri é um dos mais belos do país e, do alto de uma duna de 30 metros de altura, o turista pode se encantar com o sol se despedindo além do mar. Um espetáculo único e inesquecível! A beira da praia também é um verdadeiro encanto e nela se reúnem centenas de turistas para apreciar o fim de tarde dourado a partir das 17h.

Foto: Cleison Silva/Divulgação

Acima, a beleza do mar visto por entre as flores. Abaixo, detalhes charmosos pelos caminhos de areia na vila. Casinhas coloridas e muita beleza tomam conta do local

Foto: Kellyn Boniatti/Especial

 

Distante aproximadamente três quilômetros da praia principal, a Pedra Furada é o mais famoso cartão postal de Jeri e vale muito cada passo até lá. O caminho pode ser feito pela beira da praia, quando a maré estiver baixa, permitindo que você se depare com lindas piscinas naturais pelo trecho. Outra opção é pelo Morro do Serrote, que lhe proporcionará uma vista esplendorosa da imensidão do mar. Pela trilha, não se assuste ao cruzar com jegues soltos e muitos cactos de diferentes formatos. São detalhes que agregam ainda mais charme para o passeio. Enquanto você desbrava o caminho, poderá se deslumbrar com outras formações rochosas exuberantes, uma mais linda que a outra!

Na beira da praia, com a maré baixa, formam-se belas piscinas naturais (Foto: Kellyn Boniatti/Especial)

 

Visual impressionante do Morro do Serrote, no caminho que leva à Pedra Furada (Foto: Cleison Silva/Divulgação)

 

Ao chegar na Pedra Furada, um encanto a mais: sua estrutura é enorme e surpreende o olhar. Para quem fizer o passeio no mês de julho, vale a pena observar o pôr do sol no local, que se encaixa perfeitamente na abertura que dá nome à pedra.

A Pedra Furada é um dos principais pontos turísticos de Jericoacoara e, para chegar nela, é preciso percorrer um caminho de três quilômetros (Foto: Cleison Silva/Divulgação)

 

Ao entardecer na beira da praia, centenas de turistas se deslocam ao topo da duna do pôr do sol (Foto: Cleison Silva/Divulgação)

 

Foto: Cleison Silva/Divulgação

 

Onde me hospedar?

Embora Jeri seja um destino rústico, prepare-se para encontrar dezenas de opções de hotéis e pousadas. De diferentes estilos e para todos os bolsos, a vila possui uma excelente infraestrutura também no que se refere à rede hoteleira. Se você gosta de estar em meio ao agito, há vários estabelecimentos tanto na beira da praia quanto na rua principal, junto aos restaurantes e bares. Porém, se é sossego que você quer, opções mais afastadas podem ser ideais. Mas isso não significa que elas estejam longe da praia ou do centrinho. Uma caminhada agradável de, no máximo, cinco minutos, separa os locais (e você vai adorar caminhar pelas ruas de Jeri!).

Detalhe da área externa na Villa Jeri. O espaço é aconchegante e tem capacidade para receber até 10 hóspedes por vez. As piscinas da pousada, em tons de verde esmeralda, abrilhantam a composição (Foto: Divulgação)

 

Uma dessas opções fica no Beco da Maré Alta. A Villa Métisse é um local bastante privativo e encantador, que faz você se sentir em casa. A pousada é composta por três vilas e um bangalô, todos desenvolvidos com inspiração na cultura brasileira, com referências asiáticas e europeias. Com pés na areia, a pousada permite a conexão total com a natureza, desde a decoração, trabalhada com muitos elementos naturais como palha e madeira, até o paisagismo impecável que circunda toda a área. O serviço oferecido por lá é bastante singular: como as vilas são compostas por suítes, sala de estar e cozinha, é possível reservar tanto individualmente quanto em família, o que permite uma agradável temporada de férias junto às pessoas queridas. A sensação é de que você está em casa mesmo. Ao acordar, um delicioso café da manhã estará pronto em sua varanda, com deliciosos bolos, salgados, sucos recém-preparados, frutas frescas e, ainda, poderá escolher entre crepes, tapiocas e omelete que são feitos na hora.

Foto: Divulgação

 

Foto: Divulgação

 

Todas as vilas (Jeri, Californie e Bali) possuem piscina, redes e confortáveis espreguiçadeiras na área externa, envolta por muitas árvores. E não se assuste se, entre um banho de sol e outro, você se deparar com pequenos lagartos ou outros animais – a natureza é extremamente preservada no local. A Villa Jeri é ideal para a hospedagem de amigos e famílias, pois é composta por cinco suítes e recebe até 10 pessoas. A Californie dispõe de quatro suítes com capacidade para nove hóspedes. Por fim, a Villa Bali é a mais intimista de todas, com duas suítes e um charmoso bangalô independente com vista para a piscina. Outra opção na pousada é o Bangalô Paris, composto por duas suítes que podem ser conjugadas, se necessário. O espaço é mais privativo e também oferece todo o conforto das vilas maiores. Nele, um charmoso terraço com rede, um lindo cajueiro e uma Jacuzzi garantem o relax perfeito para as suas férias. O café da manhã é servido na área externa, com muito charme, já trazendo a certeza de que o dia será maravilhoso.

 

Atrações não faltam!

Se você gosta de boa gastronomia e diversão, reserve pelo menos quatro noites na vila. O local rústico e simples também é palco para excelentes restaurantes, com cardápios variados e opções para todos os bolsos e fome. Será preciso alguns dias na programação para conhecer e se deliciar com tantas opções que a vila oferece. A noite quente e estrelada ganha ainda mais charme pelas ruas iluminadas apenas por luzes decorativas oriundas dos estabelecimentos. Muitas flores coloridas preenchem suas fachadas, garantindo um clima romântico para o passeio. Pratos regionais, como baião de dois, carne de sol e peixes frescos, surpreendem com seus sabores e temperos. Há opções mais elaboradas, que atendem a diferentes paladares. Se você quer uma dica, não deixe de conhecer o Serafim, na Travessa Ismael, e o Na Casa Dela, na Rua Principal. Outro diferencial da noite fica por conta dos carrinhos de bebidas que ganham a rua principal quase em frente à praia. Neles é possível degustar drinks com os mais diferentes sabores, desde as tradicionais caipiras de limão e morango, até a regional seriguela. Porém, o mais exótico que encontrei (e delicioso!) foi o Brasileirinha Treme, novidade no cardápio do Serafim. Ele é feito com maracujá, limão, calda de açúcar e cachaça de jambu, que desperta uma inusitada sensação de dormência na boca. Vale a pena experimentar!

Nos bares e restaurantes, muita música ao vivo – para todos os gostos. Diariamente é possível escolher entre artistas de rock, MPB, samba e pagode, mas o forró é o som que dá ritmo à noite da vila. E se você gosta de doces, não deixe de provar os deliciosos sorvetes artesanais feitos no local enquanto aprecia a noite nos bancos da praça central.

Em Jeri, a maioria dos restaurantes e comércio aceita cartão de crédito, à exceção de alguns vendedores ambulantes. Mas é importante saber que você não encontrará agências bancárias ou caixas eletrônicos por lá, por isso, programe-se para sacar uma quantia em dinheiro ainda em Fortaleza.

 


Essa matéria foi publicada originalmente na edição 82 – Maio 2018 da Living. Para adquirir seu exemplar, clique aqui.


 

* Valores referentes ao mês de abril de 2018.